Um estudo da Agência Nacional de Águas revela que o consumo de água nas cidades brasileiras está entre os maiores do país e o descarte do recurso no esgoto é disparado o mais significativo entre todos os setores analisados.

No Brasil, mais de dois milhões de litros de água são retirados por segundo da natureza para o abastecimento de todo o país, por ano. As cidades consomem cerca de 23% do recurso disponível, quase 500 mil litros por segundo, ano. Desse total, quase 80% são descartados na natureza como forma de esgoto.

O especialista em Engenharia Ambiental da UnB, Sérgio Koide, acredita que os estados precisam criar normas para punir as pessoas que mais desperdiçam água nas cidades. Ele lembra que as localidades onde estão a população com maior poder aquisitivo, costumam ser aquelas onde o consumo de água é exagerado.

“Aquele que desperdiça água ele tem que ser mais penalizado pelo seu uso. Porque se você pegar, por exemplo, hoje Brasília, nós estamos chegando muito próximo ao valor de consumo per capito recomendado pela OMS. Só que quando você vai ver de perto esses números, as áreas de renda mais alta têm consumo exagerado, quase três vezes o recomendado. Nós estamos com o pé na geladeira e a cabeça no forno achando que média da temperatura está boa”.

O consumo de água nas indústrias, por exemplo, é de apenas 192 metros cúbicos por segundo ao ano, menos da metade daquilo que é usado pelas cidades e menos de 10% do total distribuído em todo país. Ademais, do total de água usado na produção das indústrias, apenas 45% é descartado como esgoto.

A comparação de consumo entre as cidades e as indústrias comprova que ações de defesa dos recursos hídricos precisam ser adotadas de forma prioritária nas áreas urbanas. Sérgio Koide ressalta que a carência de saneamento básico é o principal fator poluente da natureza e de risco para as fontes de água vitais para a população.

“O grande poluente no Brasil, hoje, é a questão do saneamento porque ele não está fazendo o dever de casa, enquanto as indústrias, não que todas estejam fazendo, mas é mais fácil eu cobrar de uma indústria do que cobrar do serviço público, dos governos, que eles tratem bem os seus efluentes. Nós temos muitos problemas a superar. Eu acho que nesse sentindo, de maneira geral, tanto o governo Federal quanto os governos estaduais, têm falhado no país”.

Em todos os estados cerca de 58% das cidades são abastecidas com água dos rios, lagos ou reservatórios artificiais. A água retirada de poços subterrâneos abastece 42% das áreas urbanas. O esgoto gerado pela população das cidades brasileiras supera a marca de nove toneladas por dia. A quantidade de água retirada dos recursos naturais cresceu cerca de 80% nos últimos 20 anos no Brasil.

A estimativa é de que esse número aumente em 30% na próxima década. A estimativa e os números são do relatório Conjuntura dos Recursos Hídricos 2017, divulgado pela Agência Nacional de Águas.