Acompanhado de moradores da Barra de Santana, e de representantes do Consórcio EIT/Encalso e KL Engenharia, o assessor do Movimento dos Atingidos pela Construção da Barragem de Oiticicas, Procópio Lucena visitou as obras na manhã desta terça-feira (06). O objetivo foi apurar denúncias de que a água de um lago ar margens da Barragem estaria sendo poluída pela ação da própria empresa responsável pelas obras da Barragem.

“De fato constatamos que o consórcio instalou um sistema de bombeamento para retornar a água da jusante para a montante da laje na cota 88. Essa água que está por trás da laje tem muito peixe morto e a cor verde, mostrando ser muito poluída e por nenhuma razão deve ser jogada no lago que serve as comunidades rurais e a Barra de Santana”, explicou Procópio.

De acordo com ele, a água não chegou a descer para o Rio Piranhas por causa da ensacadeira construída no local, e que o Consórcio justificou essa ação pela necessidade de retirar a água para fazer o batente no pé da parede de concreto, assim evitando erosões e dar mais segurança a barragem.

Tecnicamente o consórcio está certo em fazer esse batente e o tempo é apropriado por ser fora do período de inverno. Porém, a medida de retornar essa água pra dentro da barragem está equivocada e por consenso de todos, inclusive, do representando do consórcio, Martim, essa operação foi descartada e o sistema de bombeamento desmontado. O consórcio ficou de analisar tecnicamente a viabilidade de montar um sistema de bombeamento desta água para ajuste da barragem, Rio abaixo, o que é natural e não causará nenhuma poluição, pois os poços na sequência tem as mesmas condições hidrológicas, inclusive, o peixe ainda existente neste poço por trás da parede, antes de ser esgotado, podem ser capturados e levados para açudes, evitando assim, mais mortandade”, pontuou Procópio.

A lâmina de água acumulada na cota 88 do maciço da parede da Barragem de Oiticicas, em torno de 5 milhões de metros cúbicos, serve para abastecer a comunidade Barra de Santana, as comunidades rurais na montante e jusante da barragem, fazer algumas irrigações, matar a sede dos animais e atender toda obra do Complexo, beneficiando em sua totalidade aproximadamente duas mil pessoas e, por nenhuma hipótese pode ser poluída.

Outra questão também discutida foi a retirada de um outro acúmulo de água na estaca 25 ao longo do maciço da parede próxima ao morro de amarração. Essa água é decorrente das chuvas, não tem peixe morto e aparentemente é de boa qualidade. O consórcio quer fazer a sucção desta água para dentro do barramento. O movimento sugeriu que o consórcio monte uma estrutura de bombeamento e jogue essa água na jusante serra abaixo. Ficou acordado que a KL fará uma análise da qualidade desta água e após o resultado haverá uma nova conversa para se definir onde colocar essa água”, concluiu Procópio Lucena.