O Comitê da Bacia Hidrográfica dos rios Piancó-Piranhas-Açu, em parceria com as instituições que gerenciam os recursos hídricos na bacia, realizou uma série de ações que visam atender comunidades rurais que ficam após a sacaria da Caern, em Jardim de Piranhas. Nesta quinta-feira (23/09), foram colocados sifões (canos) para aumentar a liberação de água da sacaria para a calha do rio e contribuir com o aumento do volume de água para que chegue até as 43 comunidades rurais que ficam abaixo da sacaria, que é a captação de água da Caern em Jardim de Piranhas.

“Temos três ações que tem o objetivo de levar água para essas comunidades rurais. Estamos com a tubulação com válvula de controle colocada pela Caern dentro da sacaria, o próprio transbordamento da sacaria e agora esses 08 sifões. Essas três ações vão aumentar o volume de água no rio para que ela caminhe até atender todas as comunidades. São 30 Km de calha de rio e uma população de mais de 1000 pessoas. Caso não seja suficiente essa defluencia, vamos fazer um diálogo com a ANA, Comitê, SEMARH/IGARN, AESA , comissão de alocação de Água do sistema hídrico Curemas/Mãe Dagua e com os demais órgãos do sistema para que possa aumentar a vazão até atender todas as comunidades”, destacou Procópio Lucena, segundo secretário do CBH PPA.

De acordo com o que foi estabelecido no Termo de Alocação de Água 2021-2022 do Sistema Hídrico Curema-Mãe D’Água, não é possível a transferência de água do Açude Curema para as barragens de Oiticica e Armando Ribeiro Gonçalves. “Essa vazão será controlada a partir da sacaria de Jardim de Piranhas. Essa água só pode chegar até a confluência com a barragem de Oiticica, não pode passar. A confluência fica nas comunidades Santa Cruz e Santa Clara, na divisa entre as cidades de São Fernando, Jardim de Piranhas e Jucurutu, que é exatamente na cota 88, que é um dado referencial”, explicou Procópio.

A estimativa feita pelos órgãos de gerenciamento hídrico é que, na sacaria em Jardim de Piranhas, esteja passando um volume entre 900 a 1.000 L/s em direção a confluência com a barragem de Oiticica. “Todo o sistema de recursos hídrico está monitorando essa situação de forma permanente pra sabermos quantos dias essa água vai chegar as comunidades. A nossa expectativa é que em um prazo máximo de quinze dias , todos as comunidades estejam atendidas”, reforçou o segundo secretário do Comitê.

Fiscalização

Além da liberação de água, os órgãos do sistema hídrico pretendem intensificar o monitoramento e a fiscalização em torno da calha do rio para que sejam evitados os excessos no uso da água. “Vamos intensificar essa fiscalização com a ANA e IGARN, juntos com os próprios usuários de água, os sindicatos, associações, as prefeituras e todas as instituições para que possamos saber o que verdadeiramente está acontecendo na calha do rio. A previsão é que seja feita uma fiscalização inteligente e tecnológica utilizando inclusive drones para saber se existe alguma uso indevido”, disse Procópio.

Usos da água na calha do rio

A água que desce na calha do rio Piranhas deve ser utilizada para os usos múltiplas. A orientação dos órgãos gestores dos recursos hídricos é que sejam feitas irrigações de pequeno porte até no máximo 8 hectares, usos domésticos, abastecimentos das cidades, produção de alimentos saudáveis atendimento de forma especial a agricultura familiar. “O reservatório Curema-Mãe D’Água tem hoje uma quantidade de água razoável. Isso significa que é possível fazer o uso racional, em conformidade com o Marco Regulatório e com o Termo de Alocação de Água”, finalizou Procópio Lucena.